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segunda-feira, 17 de novembro de 2008

O Falcão e o Morcego



Nunca quis fazer deste blog um instrumento de reclamações. Textos cheios de fagulhas estão por aí aos montes. Mas agora tinha que dar espaço aos meus pensamentos que vão contra o esquema que rege a indústria de cinema americano ultimamente.
Muitos do que penso pode ser lido nesse texto do Judão Blogs , à respeito da reciclagem à exaustão de idéias que deram certo no passado ou em outras mídias, como nos quadrinhos, videogames e até mesmo na TV, resultando muitas vezes em filmes que nem se preocupam em manter alguma fidelidade com o conteúdo original, a não ser o nome, a marca.

Recentemente assisti "O Falcão Maltês" de John Huston e com Humpfrey Bogart (o famoso Rick de Casablanca), tido como o primeiro filme noir da história. Durante o filme é possível perceber na precisão de movimentos e falas, Atuações imponentes e roteiro afiadíssimo. Um filme charmoso e estético. Um estilo que perdeu boa parte da importância no final da década de 60, quando as ruas e o realismo visceral tomou conta das grandes produções de relevância artística do mainstream hollywoodiano, com Martin Scorsese, Brian de Palma, Sam Peckinpah, entre outros. É claro que eu não estou desmerecendo estas produções e estilo de filmar, das quais também sou fã, mas o tom clássico da história do detetive Sam Spade é cada vez mais raro nos dias de hoje.
Num cinema tão explícito e tecnológico, nuances de interpretção acabam perdendo importância.
Repare em alguns atores que ganharam o Oscar de uns anos pra cá, como Adrien Brody e até mesmo Forrest Whitaker, se viram em produções de qualidade duvidosa em suas seguintes atuações. Diferentemente de Daniel Day Lewis que se sempre se preocupou com o conteúdo artístico antes de escolher seus trabalhos. Preocupação que o levou a ganhar pela segunda vez o Oscar de melhor ator por Sangue Negro, filme este, que resgata o estilo que citei anteriormente. Para entender o que digo basta assistir ao filme e acabar impressionado, não com uma reviravolta impressionante ou com efeitos especias, mas com o poder das atuações e pelo talento do diretor.

Mas como já disse uma vez, aqui mesmo nesse blog, também gosto de blockbusters que cumpram bem o dever de entreter e divertir. Mas há também um problema com este tipo de produção.
Recentemente, acabou-se por surgir uma certa divisão meio esquista entre a maioria dos lançamentos do cinema. É mais ou menos assim:
- Produções superviolentas e/ou de terror, destinados à adultos mas que a mulecada acaba assitindo.
- Filmes medianos, geralmente de aventura ou policiais, nos quais os estúdios reduzem suas censuras para 13 anos mas mantém um teor adulto para alcançar o maior número de pessoas possíveis(o que infelizmente acabou acontecendo com Max Payne).
- E desenhos, destinados às crianças, mas que alguns adultos acabam assistindo.
O problema não está no primeiro e no terceiro grupo, porque a mulecada sempre vai acabar assistindo à filmes de terror, nem que escondidos dos pais; e também não há problema nos adultos assitirem os desenhos, já que os mesmos estão sendo feitos, cada vez mais, com uma qualidade singular.
Mas o terror e os desenhos são extremos, o problema se encontra no grupo do meio.
Vou mecher no vespeiro e tomar como exemplo o "Cavaleiro das Trevas". O filme é bom? Inegavelmente.
E sem sobra de dúvidas é um filme adulto, como o próprio tom do filme, cru e brutal, nos dá a entender. Só que quando o assisti pela segunda vez, fiquei com a sensação que o filme foi feito com o pé no freio. Essa suavizada em cenas mais pesadas e violentas, que um poucos mais fortes poderiam ter aumentado a carga dramática e realismo do filme, me passa a impressão que a liberdade criativa do diretor foi podada para que o filme se adequasse a classificação "indicativa" que os produtores desejavam que o mesmo alcançace. Dizem que o filme tem chances na corrida pelo Oscar, mas provavelmente o pessoal de lá vai levar em conta o que eu vos digo e quem sabe premiará Heath Ledger como ator coadjuvante. Clássicos do cinema não se preocupam com nenhum tipo de censura.

Outro problema que envolve esse meio, é a falta dos filmes matinê que existiam nos anos 80, até a metados dos 90 e que hoje são classicos de Sessão da Tarde. Filmes que não apelavam para efeitos especias como atrativo e que tinham histórias BOAS e voltadas para a mulecada. Ou você acha que o filme bomba do Dragon Ball que vem por aí será lembrado como Goonies é lembrado até hoje pelas pessoas que o assitiram na infância e que guardam tanto carinho pelo filme. Os filmes pop de hoje são descartáveis.

Mas em outra coisa me paira uma dúvida.
Há uma certa incorência nos padrões de censura nos dias de hoje em relação com os de alguns anos atrás. Nunca foram lançados nos grandes cinemas de circuito, filmes com um teor tão alto de violência, que estão presentes nos Jogos Mortais, Albergues e até no Rambo IV. Um grau de violência impensável uns 20 anos atrás. Para perceber isso é só assistir "O Massacre da Serra Elétrica" de 74, que na época fez um escândalo imenso mas que se apoia mais no terror psicológico do que na violência explícita para dar medo, o que faz muito bem. Mas o que quero dizer é que enquanto os orgãos de censura deixam que carniceiros passem tranquilamente dando-lhes uma censura 18 anos e pronto, não deixam que uma gota de sangue seja mostrada em filme de censura 13 anos. Quem já assistiu a trilogia do arqueólogo Indiana Jones sabe que pessoas morrem à torto-direito com um sanguinho aqui e alí, cabeças explodem e corações são arrancados com a mão, mas que na epóca ganharam censura 13 anos. Numa época em que a violência que eu citei anteriormente não existia. Entenderam a incoêrencia? O que eu penso é que um rapaz de 13, 14 anos tem tranquilamente maturidade para assitir os filmes de Indy e reprovo a violência gratuita e excessiva de alguns filmes lançados ultimamente.

Por isso tudo caros leitores façam uma forcinha e não alguem qualquer porcaria que estiver numa prateleira de lançamentos e dê uma pesquisada por aí, porque a qualidade não some com o tempo. Qualquer dúvida pergunte ao balconista!





-E aí? O quê você achou?
-Ah meu, eu curti - respondeu o Edu - só não gostei que você falou mal do Batman, que é um puta filme.
-Hehehehehe, eu não falei mal meu, eu só disse que podia ser melhor.
-Ah tá, nada a ver né. Mas cara, eu acho que eu sei porque isso de os caras da censura não deixarem que tenha sangue nos filme de censura 13 anos.
-Por que?
-Porque os caras vêem que os filmes de terror tão exagerando e se eles liberarem sangue para os outros, vai acabar dando merda.
-Pode ser.
-E otra coisa, esse conselho que você deu, de consultar o balconista, às vezes pode não dar certo, porque tem cada cara tapado por aí que não sabe nem quem é o Quentin Tarantino.
-Melhor do que não saber quem é o Martin Scorsese!
-E porquê? O Tarantino não é tão foda quanto o Scorsese? - disse o Edu indignado.
-Eu curto o Tarantino, mas o Scorsese é um artista, cara.
-O Scorsese é um ótimo diretor, mas nós estamos falando de quem é o mais foda.
-Nem vem, o mais foda é o David Lynch - Ana veio correndo do fundo da loja para retrucar.
-O David Lynch só fez Veludo Azul - o Edu diz para atiçar a Ana.
-E o Tarantino só fez Cães de Aluguel!
-E Pulp Fiction não foi nada né?
-Oh pessoal, vamos dar um tempo aí, vai - eles sempre tem que discutir...
-Já parei, já parei. Hey Johnny, o que você tá escrevendo aí?
-Um post pro meu blog.
-Você nunca falou que tinha um blog. Posso ler?
-Pode.

Ela lê.

-E aí? - eu pergunto.
-Não gostei que você falou mal do Batman...
E o Edu ri da minha cara.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

A Insustentável Dureza do Ser

Sabe quando o Garfield reclama das segundas-feiras? Se ele trabalhasse numa porcaria de uma locadora então teria motivos maiores para um ataque de stress matinal. Agora, além de ser preguiçoso como o gato gordo, também peguei raiva do dia que começa uma semana na prática.


Segunda é o dia de arrumar toda a bagunça deixada pelo movimento do final de semana. Temos que arrumar prateleiras, dar baixas em filmes devolvidos, cobrar os relapsos que esqueceram de devolver os seus e até dar uma limpada no lugar.

E parece que deixaram uma bagunça de semanas para que eu começasse minha primeira segunda na nova RST com o pé, na porta. Se eu encontrasse O Massacre da Serra Elétrica junto com os filmes do Rei Leão não me assustaria.


Para nos ajudar, Eduardo e eu, foi recrutada uma garota chamada Ana, do turno da noite, que ganhou esse “castigo” por ter xingado o Luís.


-Por que você não foi despedida? – o Edu perguntou.

-Porque eu o xinguei com razão – Ana respondeu.

-Por que você o xingou?

-Não vou falar, mas não é isso que vocês estão pensando.

-Que modéstia, hein!

-Vê se te manca cara – ela disse.

Eles discutiram mais um pouco, mas eu caí fora porque não estava afim de ouvir porcarias.


No meio da arrumação, uma mulher começou a bater na porta querendo entrar.

-Hei! Johnny, vai lá falar com ela – o Edu disse.

-O quê eu falo? – eu disse.

-Não, deixe que eu vou – Ana interrompeu.

E ela foi.

-Pois não? – Ana começou.

-Eu queria pegar um filme – respondeu a mulher.

-É verdade? Achei que você estava procurando por tapetes!

-Hahaha, vai abrir ou não?

-Não. A gente está arrumando a locadora. Não sabe ler? – Ana indicou o aviso na porta.

-E daí? Já deu o horário de ela estar aberta!

-Então porque você não entra e...


E antes que a Ana continuasse, eu a interrompi para que quando o Luís voltasse, não encontrar corpos mutilados no chão da RST. A mulher pegou o filme e foi embora jogando pragas.

-Aí que raiva dessas pessoas que se acham donas de tudo – Ana disse.

-Mas qual era o problema dela pegar um filme? – eu disse.

-A gente estava fechado e pronto. Se todos ficarem abrindo concessões para todo mundo...

-Ela tá de TPM – Edu disse.

-Cala a boca meu, seu machista do caramba, uma mulher não pode ficar irritada?

-E porque você tá tão irritada? – eu disse.

-Essas pessoas que me deixam irritada!

-Imagine se você trabalhasse de garçonete ou de operadora de tele-marketing – eu disse.

-Ou de síndico – Edu acrescentou.

-É, essas pessoas, sim, ouvem muita merda.

-Não é isso. O problema é que as pessoas andam por aí todas irritadas pra lá e pra cá, xingando Deus e o mundo porque suas vidas são uma montanha bem grande de bosta estressante – Hehehe, ela falou assim mesmo.

-Olha quem fala – o Edu disse.

-Eu incluída né, cara!

-Você devia ficar no seu quarto, trancada, ouvindo The Cure e Joy Division chorando as pitangas.

-O que isso tem a ver meu?

-Você é muito pessimista.

-Não sou pessimista, sou realista – ela completou.


Agora eu acho que ela deve ler umas coisas tipo Schopenhauer e Nietzsche. Que uruca!


-Na minha opinião as pessoas ficam reclamando porque tem medo de sair de suas zonas de conforto e fazer outras coisas – Edu disse.

-Como assim? – ela perguntou.

-É que, não fazer nada e reclamar é mais cômodo, capisce?

-Nada a ver cara, as pessoas não têm o que fazer, o mundo não deixa que elas tomem seus próprios rumos.

-Você é que está insatisfeita em trabalhar em uma merda de locadora e fica botando culpa no mundo.

-Eu trabalho aqui porque eu quero, para arranjar uma grana – ela retrucou.

-Pra fazer o quê? – ele disse

-Pra viajar.

-Viajar? – eu disse.

-É cara, pegar uma mochila e sair por aí para conhecer pessoas e lugares. Ter uma experiência real de vida. – ela disse.

-Você não tem coragem... – Edu disse.

-Talvez não, talvez chegue uma hora em que eu desista, mas não tenho outra idéia em mente, por enquanto esse é meu objetivo.

-Que tal estudar em vez de ficar por aí vagabundeando?

-Não tô afim, e outra que eu posso depois da viagem escrever um livro e ganhar bastante dinheiro – ela diz mostrando um empolgamento envergonhado.

-Você já ta meio velha para ficar pensando assim, que nem uma adolescente tonta – Edu disse.

-Ahhh, falou o velho – Ana disse.

-Ô Ana, o que o Edu ta querendo dizer é que chega uma hora em temos que seguir as “regras”, entende, senão a gente se dá mal, essas merdas assim – eu disse.

-Pode ser, mas não temos que concordar com elas – ela completou.

-É... – eu disse.


Não tínhamos mais o que falar. Ficamos parados com nossas visões pessimistas de em mundo em que não passamos de mais três tijolos no muro. E ai do tijolo que se desgrudar! É bom que tenha asas, ou as compre!

Então o Luís chegou, nos viu e disse:

-Mal acabou o final de semana e já estão aí programando a festa do próximo sábado, né garotada?

-É... – suspiramos em uníssono.


Ministério da saúde adverte. Pensar muito faz mal a saúde. Se persistirem os sintomas, um bar deverá ser consultado.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

A Mudança e as Listas de Sempre

Infelizmente a RST Vídeo onde eu trabalhava fechou. Outras lojas estavam fechando e a hora da minha segunda casa também chegou. A desculpa de sempre é que a pirataria está tomando conta da casas dos brasileiros cada vez mais e as locadoras têm um público cada vez menor. Pode até ser, mas ainda, felizmente, não é um estado tão alarmante, já que a RST Vídeo em que eu trabalhava tinha um fluxo até que razoável de locações, mas também não sou especialista no assunto então não tenho estatísticas à mão para expor fatos.
Mas eu fui transferido para uma loja maior e a antiga RST deve ter virado um bar ou uma lan house.


No novo estabelecimento, que agora usufrui dos meus árduos dias de labuta, eu começo umas dez da manhã e saio lá pelas quatro e meia, cinco da tarde. Como o meu novo chefe é bem sossegado e ele mesmo abre a locadora, tenho essa, digamos, flexibilidade de horário. E ele também não fica muito tempo por lá, e vai andar por aí gerenciando outras lojas da franquia e sei lá mais o que. Então posso dizer que pouco da minha rotina mudou, só uns dez minutos a mais de buzão.


Junto comigo, “abre” a locadora um cara chamado Eduardo que é bem quieto e gosta de zombar das piadas do Luís, o chefe, depois que ele sai, nas quais temos que demonstrar aquele profissionalismo dando uma risada de cortesia, mas quem não faz isso, não é verdade?


Continuando, o Eduardo tem esse jeito meio de saco cheio e fala somente o necessário para demonstrar o mínimo de simpatia comigo e com os clientes. O que para mim não é ruim, nem desagradável, porque eu sei o quê é ouvir merda várias horas por dia. Enquanto trabalhei na locadora menor tinha um cara que às vezes, nos horários com mais movimento, fazia turno comigo e que não sabia nada de nada e são essas pessoas que mais falam.


Nesses últimos dias essa foi a maior, senão a única, conversa que tive com o Eduardo:


- O quê que você está ouvindo? – eu perguntei.

-Oi?

Indiquei na minha orelha para sinalizar o fone, com jeito de pergunta.

-Ahnn. É Flaming Lips.


Parece engraçado, mas nunca conheci um pagodeiro que trabalhasse numa locadora. Parece me que é um emprego destinado à nerds ou roqueiros aposentados de suas bandas. É como jogador de futebol, acho que nunca ouvi falar de um que fosse fã de Slayer ou Megadeath.


-Hum, conheço pouco.

-Você não curte?

-Não, é que não conheço mesmo. Passou um show deles uma vez na MTV onde eles tocaram War Pigs e Bohemian Rhapsody, então por causa dessas músicas, eu acabei assistindo o show. Depois li que é uma banda bem conceitual e muito boa.

-E é mesmo, é uma das minhas favoritas.

-Acho que Bohemian Rhapsody é minha música favorita.

-Como assim? – ele perguntou.

-Como assim o quê?

-Cara, é quase impossível ter uma música favorita, música é meio que coisa de momento, então definir somente uma entre milhares é generalizar demais, você deve ter uma de cada estilo ou banda, pelo menos.

-È, pode ser, mas...

-Você as separa em posições?

-Não, nunca parei para pensar em um ranking, quer dizer acho que já, mas nunca chego em conclusão alguma.

-Mas é claro, né cara. Existem muitas músicas e você as ouve com muito mais freqüência do que vê um filme ou lê um livro. Às vezes você acaba em uma semana ouvindo bastante uma música e depois acaba até esquecendo dela.

-Mas eu também não fico ouvindo muitas e muitas músicas diferentes. Tenho minhas bandas preferidas e acabo ouvindo mais elas mesmo, mas às vezes dou uma fuçada para descobrir coisa nova. Quer dizer nova pra mim, porque o que eu mais ouço é música antiga.

-Porque só às vezes? – ele disse.

-Olha cara, algum tempo atrás eu procurava muita coisa, e ouvia muita coisa, porque eu tinha essa gana de saber muito. O motivo eu não sei direito, acho que eu gostava de ir atrás e ler sobre música, cinema e outras coisas. Ainda acho legal. Antes disso, quando era mais novo, um moleque, alguém mostrava ou falava de uma banda que eu não ouvia, eu invariavelmente falava que era uma merda. Depois fui ver que estava sendo meio tonto.


Pausa para atender um cliente.


-Uma vez – eu continuei – meu primo colocou para que eu ouvisse a Starway To Heaven, e eu comecei a ouvir aquela introdução com o violão e flauta e acabei dizendo que não tinha gostado e perguntei como aquela música poderia ser um clássico do rock.

-Putz, cara!

-É, eu sei, mas eu era ainda um jovem Padawan com muito a aprender e uma melodia mais bem elaborada no meio do barulho que meus ouvidos estavam acostumados me causou estranhamento. Estava numa fase Ramones e Nirvana.

-Mas depois você começou a gostar de Led?

-Muito, mas também não deixei de gostar de uma sujeira punk, mas só que menos. Porque como eu disse, comecei a ler, ouvir e ver muita coisa. Então fiquei meio perdido e só depois comecei a ver o que eu realmente curtia. O que também aconteceu com os filmes.


Assisti à vários filmes meio que como uma obrigação. Assisti filmes clássicos e famosos só para depois poder dizer que, eu tinha visto um filme da Marlyn Monroe ou do Alfred Hitchcock, entre outros. Acabei passando para frente pedaços de Apocalypse Now e Laranja Mecânica quando os assisti pela primeira vez. Eu sei que foi uma grande besteira, mas que depois foi reparada com a devida apreciação destes clássicos, um tempo mais tarde.

-Hehehehe, falou bonito. Mas então quais são os filmes que você mais gostou depois de tudo isso?

-Não sei bem. Tem uns que eu gosto muito, mas para fazer um ranking, eu acho que existem vários fatores a serem levados em conta.


Por exemplo, no caso dos filmes, você tem que assistir pelo menos três vezes a um filme para colocá-lo em uma lista de favoritos. Uma para conhecer, outra para rever e uma terceira para ter certeza. Aí sim você pode dizer que gosta mesmo dele. E eu acho também que você tem que diferenciar os seus favoritos e os que você acha que são os melhores filmes de todos os tempos, porque as pessoas às vezes se confundem com isso.

Às vezes você gosta muito de um filme que por muitos é considerado uma merda, mas é o seu gosto e pronto, acabou. Mas se você abre uma discussão de “Os Melhores”, as pessoas vão ter o direito de discordar.

-É verdade. Acho que eu vou tentar fazer minha lista de filmes – Eduardo disse.

-Pra passar o tempo?

-Também, mas eu acho que deve ser um bom exercício de introspecção.

-Hehehe. Você é da linha do você é o que você gosta?

-Não totalmente, mas acho que essas coisas importam um pouco na hora de definir nossa personalidade.

-Pode ser... Nossa, ficou meio Alta Fidelidade esse papo.

-Alta Fidelidade?

-É um filme baseado em um livro em que são discutidas essas idéias.

-Nunca ouvi falar.

-Pode anotar aí que é bom.

Aí a gente começou a fazer as listas, mas no final do dia não conseguimos chegar à um maldito veredicto, em nada.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Vivendo e Não Aprendendo



"Você não vai sair daí enquanto não decorar a tabela periódica inteira !"


Estava estudando química orgânica, apoiado no balcão, quando um senhor que já tinha escolhidos seus filmes (ele pegou Meu Ódio Será a Sua Herança e Esqueceram de Mim! Juro !) chegou a mim e perguntou :
-O que você está estudando ?
-Química - eu disse.
-Hum... Eu nunca gostei de química, mas tem coisas que ainda me lembro dos tempos de escola. Mols, hehehehehe...
E com uma sonora gargalhada o senhor foi embora e fiquei pensando. Como esse senhor ainda lembrava de mols? Será que eu também vou me lembrar?
Quanto espaço cerebral eu poderia estar usando (quando a gente fica velho a memória vai ficando mais fraca, sabiam?) com outras coisas mais úteis? Eu lá quero saber com quem o Sr. Barão Ratão se casou? Quem Roubou a Cesta de Frutas?
Esses dias por exemplo, finalmente encontrei o nome de um filme que procurava fazia muito tempo. Imagina o tanto de tempo de pesquisas e perguntas que eu poderia ter salvo se lembrasse de cara o nome do filme que recordava com carinho. Era "A Fortaleza", filme que passou no Cinema em Casa do SBT há tempos atrás, em que bandidos mascarados (um até de Papai Noel) sequestram as crianças e a professora de uma escola do interior da Austrália. Cultura fútil mas útil para mim.
Quantas pessoas passam anos tentando lembrar daquela música que as fizeram dançar...
Quantas pessoas passam anos tentando lembrar daquele filme que as fizeram chorar...
Quantas pessoas passam anos tentando lembrar daquela piada que as fizeram rir...
Quantas pessoas passam anos tentando lembrar onde guardaram o telefone daquele amigo...
Quantas pessoas passam anos tentando lembrar no dia o aniversário da mãe...
Será que os fantasmas do Pitágoras e do Bhaskara (tive que pesquisar esse nome) vão me perseguir para o resto da minha vida? No período escolar temos que ser mestres em mais de dez matérias ao mesmo tempo. Tomara que o jeito de ensinar mude num futuro próximo...
E tomara que depois do vestibular eu esqueça grande parte dessas coisas e quando meu filho vier me pedir ajuda com a tarefa de casa vou dizer:
-Ô filho, deixa isso aí e vamo brincar, depois você pergunta para a professora.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Vida na RST

Há muito tempo livre nas horas de trabalho de um balconista de locadora hoje em dia, pelo menos no meu caso.
Com a mulecada baixando filmes ou assistindo-os até no youtube algumas locadoras foram abandonadas por parte de seus frequentadores e estas esquecidas pela nova geração encontram sustento com pessoas que não tem um programa definido ou não sabem mesmo o que assistir e vem procurar algum filme, de preferência lançamentos. Mas há ainda os clientes fiéis quem gostam de ficar horas olharando para a cara dos filmes e tirar suas listinhas do bolso.
Além de tudo isso, os papos desinteressantes dos frequentadores dessa locadora da onde humildemente vos escrevo, trazem à mim grandes momentos de ócio criativo.
São por esses motivos que eu resolvi criar este blog, para que eu possa aproveitar este tempo para escrever sobre filmes, música, livros,TV (sim, tem uma tv aqui...) e as coisas que acontecem por aqui.
Tomara que o meu chefe não descubra...